Quem tem direito de usar as Terapias Aquáticas?

Quando começamos a sobressair um pouco no trabalho indubitavelmente receberemos críticas e opiniões.

Recentemente tenho recebido algumas mensagens de pessoas que não compreendem bem o rumo de meu trabalho e por isso me vejo na obrigação de explicar de forma pública minha conduta perante um tema muito importante: Quem tem direito de usar as Terapias Aquáticas?

Desde 2001 quando ministrei oficialmente meu primeiro curso, trabalho com uma linha muito simples. A terapia aquática para reabilitação é do profissional de reabilitação. Seja ele, Fisioterapeuta, Terapeuta físico, Kinesiólogo, Fonoaudiólogo, Psicólogo, Psiquiatras ou Terapeutas Ocupacionais. Também médicos fisiatra tem buscado meu trabalho recentemente.

Cada um destes profissionais irá utilizar as Terapias Aquáticas como ferramenta ligada diretamente a seu trabalho. Por exemplo:

O Fisioterapeuta e ou Terapeuta Físico reabilita fisicamente com as técnicas de terapias aquáticas.

Creio ser o principal instrutor que durante os cursos, palestras, congressos e encontros repete constantemente esta frase. Os princípios físicos utilizados como reabilitação física são de uso exclusivo do fisioterapeuta.

O Kinesiólogo promove a mobilidade funcional utilizando as técnicas e objetivando estratégias de conduta ideal através das terapias aquáticas.

O Terapeuta Ocupacional promove a autonomia de indivíduos com dificuldade de integrar-se à vida social em razão de problemas físicos, mentais ou emocionais utilizando as terapias aquáticas como ferramentas e estratégias.

O psicólogo e psiquiatra atua com a água para desbloquear e estruturar corporal e mentalmente.

O Fonoaudiólogo atua com toda a parte da função auditiva periférica e central, da função vestibular, da linguagem oral e escrita, da voz, da fluência, da articulação da fala e dos sistemas mio funcional, orofacial, cervical e de deglutição utilizando os meio aquático como recurso.
Outros profissionais que buscam meu trabalho e os atendo com muita consideração são os educadores físicos e terapeutas corporais, que atuam com outro tipo de público e com objetivos diferentes aos profissionais de reabilitação. Assim deve ser.

O educador físico utiliza as técnicas de terapias aquáticas para seus alunos através de um sistema de personalização ou em grupo como no caso de Pilates na água e Ai Chi. Utiliza o Watsu para trabalhos com aumento de performance em atletas de alto rendimento ou amadores. Em alguns congressos tenho visto nadadores utilizarem trabalhos semelhantes a Bad Ragaz para aumentar performance e utilizam com estrema habilidade. Com isto treinam menos com mais efetividade.

O Terapeuta corporal ou “massoterapeuta” como pode ser chamado de forma popular, tem uma função muito importante no que se refere a parte social, este deve utilizar as terapias aquáticas para dar qualidade de vida, diminuir estresse, que é o vilão da humanidade, responsável pela maioria dos casos de óbito no mundo.

Nos países mais desenvolvidos estes profissionais têm uma importância vital. No Japão por exemplo, temos grandes mestres do Shiatsu que são reverenciados por seus estudantes de forma respeitosa e honrada. Oxalá, um dia seja assim no Brasil.

Resumindo. “Cada macaco não seu galho”.
Em cada lugar (país) que trabalho as leis e costumes são diferentes e me adequou a elas de forma profissional e respeitando sus idiossincrasias. Alguns lugares como Uruguai, que é um país pequeno os cursos são apenas para fisioterapeutas não permitindo outro tipo de profissional. Quando estou aí me adequa aos costumes do país e sigo em frente.

No caso da Argentina, outros tipos de profissionais são aceitos no curso e durante todo tempo é repetido o lema de que se não é profissional de reabilitação, não deve atuar na área.

Recentemente na Venezuela houve um trabalho grande por parte dos organizadores de se evitar o intrusismo de outros profissionais na área de reabilitação que chegou a ser agressivo a tal ponto que outros profissionais acreditarem que não deveriam sequer atender seus familiares. Um exagero.

No Brasil quando a “hidroterapia” Fisioterapia Aquática, foi introduzida por volta do início dos anos 90, existiam muitos profissionais não-fisioterapeutas atuando na área. O que se ajustou gradativamente quando o profissional foi ocupando seu real espaço e tomando conta do mercado de terapias de reabilitação. O público prefere receber fisioterapia de fisioterapeutas. Simples assim.

Em alguns países que estou atuando e inclusive implantando a Fisioterapia Aquática recomendo sempre aos fisioterapeutas uma conduta simples. Ocupem seu espaço, informe ao público através das mídias e aos médicos através de visita a seus consultórios e participe de congressos de medicina. Enfim, o fisioterapeuta também atua com a informação e formação de indivíduos mais saudáveis em diversos níveis.

Cada um destes profissionais são provedores de suas famílias e devemos respeitar cada profissional atuante em sua área.
Ensino a todos que me buscam com muito prazer e felicidade no coração, com esperança que utilizem estas ferramentas de forma consciente, profissional e que ajudem a humanidade deste planetinha Terra.

Alguns me cobram que devo controlar quem está fazendo o que, mas informo que não sou xerife. Cabe a cada um ter seus parâmetros éticos de acordo com sua comunidade e regras sociais.

Importante: A medida correta que este deve tomar é chamar o órgão fiscalizador. Seja ele o conselho ou associação competente e denunciar o indivíduo por Exercício Ilegal da profissão, No Brasil Artigo 47 do Decreto-lei nº 3.688 de 03 de Outubro de 1941

Um último dado que deve ser levado em consideração e que para mim é o mais importante é que, as técnicas te terapias aquáticas não foram desenvolvidos por fisioterapeutas.

Se seguimos pensando assim, James McMillan não poderia trabalhar com Halliwick, Harold Dull não poderia fazer Watsu, Jun Konno não poderia dar classes de Ai Chi, Joseph Pilates não daria aulas de Water Pilates.

Honrar o mestre.
Algo que temos que aprender no mundo latino.
Agradeço por ler.

Marcelo Roque

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