Baseia-se na criatividade e espontaneidade, e ambas devem surgir naturalmente, sem serem comandadas. Para entender melhor a psicomotricidade aquática é necessário lembrar um pouco sobre a relação do meio líquido com o movimento enquanto expressão psicomotora do ser humano.

O professor, psicomotricista ou terapeuta deve ter claro quais as estratégias de intervenção que vai adotar no meio aquático quando está diante desta ou daquela pessoa e/ou paciente. Logo, desenvolver o vocabulário psicomotor e resgatar o sentimento lúdico de receptividade, de descoberta e de curiosidade no meio aquático é uma das metas que devem ser atingidas. Pois, como dizia meu estimado amigo e colega Pedro Onofre “brincar é começar a dar sentido às coisas no processo evolutivo de conseguir usar um objeto, a água ou uma situação, desde o seu inconsciente”. Tem como base desde a concepção e evolução, quer dizer, no meio intra-uterino até chegar o nascimento.

Sabemos que o feto está banhado por um líquido chamado líquido amniótico, o qual está na mesma temperatura que seu corpo e atravessado permanentemente pelo fluxo sanguíneo da mãe. Ao nascer, a criança entra num mundo desconhecido que não está mais em harmonia com as sensações internas, mas sim, as externas como o contato das mãos, dos objetos, da temperatura, da luz que, na verdade, é do outro.

A criança então, busca encontrar um complemento que é a mãe (podendo ser outro adulto). Essa fusão irá mantê-la protegida e num estado prazeroso. A água dentro desses aspectos positivos pode auxiliar nesse contato, nessa fusão. Deve ser utilizada como meio de ação mais global, através do movimento, e da relação desse indivíduo com o espaço, com o outro, com o objeto e consigo mesmo. Trabalhar a psicomotricidade na água é fazer dela e do movimento uma estimulação para o indivíduo. Com isso, ele aprende a se conhecer e a se aceitar.

A criança não entra na aula e fica apenas brincando sem planejamento algum, há a necessidade de estudar o seu histórico, de saber as suas necessidades e frustrações para poder atuar como um meio e não como um fim. Nas atividades na água são solicitados os canais exteroceptivos (sinais do meio externo captados pelos órgãos dos sentidos), proprioceptivos (situação do corpo no espaço) e interoceptivos (está ligada à vida orgânica e vegetativa) em diversos níveis. Para se obter sucesso nas atividades, é preciso planejar o trabalho que será realizado e estabelecer os objetivos que deverão ser atingidos, mesmo que não possua uma data preestabelecida para tal.

Os conteúdos trabalhados podem ser funcionais e relacionais. Em se tratando dos conteúdos funcionais, são destacados como: coordenação motora global, que possibilita desafios e dificuldades na água; tônus e postura, que podem ser modificados conforme o empuxo e ação da gravidade; equilíbrio, que também se altera devido a estes itens; esquema corporal; que bem trabalhado irá ajudar a criança a se adaptar em relação a espaço e tempo; espaço e tempo propriamente ditos e estimulação do desenvolvimento cognitivo.

Já no aspecto relacional, observa-se o comportamento do indivíduo diante de diferentes situações, relacionadas com objetos, espaço, tempo e às pessoas, abordando conteúdos como criatividade, afetividade, espontaneidade, agressividade e comunicação. As Principais indicações para atendimento psicomotor, são:

  • Desatenção. Pouca concentração em atividades;
  • Postura inadequada;
  • Controle inadequado de força — inclusive do lápis no papel.
  • Construção inadequada de esquema e imagem corporal;
  • Dinâmica lateral indefinida — destro/canhoto;
  • Noções inadequadas de direção;
  • Preensão inadequada do lápis;
  • Dificuldade para realizar letra cursiva.

Flávia Gazolli Ferreira CREF 20746-G/SP Professora de Educação Física e Psicomotricista.

No Brasil, a psicomotricidade aquática vai se institucionalizando mais ao nível de pós-graduações em Fisioterapia Aquática, Psicomotricidade e/ou por meio de cursos de capacitação. No entanto, apesar de existir uma maior visibilidade social da nossa atuação a sua inserção universitária nos cursos de graduação em Fisioterapia e Educação Física, tem sido escassa. Concordando com a minha colega Prof. Cacilda Velasco, a Psicomotricidade Aquática é uma modalidade ainda muito mal explorada e orientada aos que desejam manter um trabalho especial e totalmente fundamentado em relação ao desenvolvimento humano. Muito se fala a respeito e muito se observa nas piscinas, atividades totalmente recreativas, nomeadas de atividades psicomotoras. Pois psicomotricidade aquática não é natação, fisioterapia aquática e muito menos recreação aquática.

A Psicomotricidade Aquática é um conjunto de ações que utiliza a via de exteriorização corporal como meio de melhorar as relações da pessoa consigo mesma, com o adulto, com a água e na água, com os objetos e com os seus pares, utilizando como meio a experimentação corporal múltipla e variada dentro d´água, a vivência simbólica e as diferentes formas de comunicação e expressão.

Atualmente, existem dois eixos pelos quais a psicomotricidade avança, entre tando, eles se diferenciam nas origens, nos objetivos, nas estratégias de intervenção em meio aquático. De um lado está o que se passou a denominar de Psicomotricidade Funcional, isto é, aquele que toma como referência inicial o perfil psico motriz do indivíduo avaliado a partir de testes padronizados e que se serve de família de exercícios como atividade meio e utiliza os métodos diretivos não deixando espaço à exteriorização da expressividade motriz.

De outro, está a Psicomotricidade Relacional, isto é, a abordagem que se sustenta na ação de brincar como atividade meio, ou seja, que utiliza o jogo como elemento na sessão no meio aquático. Jogo este que privilegia a criação, a representação e a imaginação. Neste sentido o professor, psicomotricista ou terapeuta deve ter claro quais as estratégias de intervenção que vai adotar no meio aquático quando está diante desta ou daquela pessoa e/ou paciente. Logo, desenvolver o vocabulário psicomotor e resgatar o sentimento lúdico de receptividade, de descoberta e de curiosidade no meio aquático é uma das metas que devem ser atingidas. Pois, brincar é começar a dar sentido às coisas no processo evolutivo de conseguir usar um objeto, a água ou uma situação, desde o seu inconsciente. Sendo assim, pode-se dizer que a reabilitação das pessoas que procuram a psicomotricidade aquática não pode ser vista apenas como aplicação de técnicas funcionais fundamentadas em estudos anatomofisiológicos e biomecânicos.

Pois como diz João Costa (2008) a reabilitação mesmo motora é essencialmente relacional. Enfim… “abramos os olhos para enxergar o que as pessoas têm para nos ensinar, sensibilizemos os ouvidos para escutar o que elas vêm nos dizer, tenhamos coragem de assumir e de ser corpo para que possamos nos permitir ser tocado e tocar, sintamos e vivenciamos as expressividades mais autênticas e espontâneas de um ser humano, lutemos pelo fim da desigualdade social, da miséria, da fome e da discriminação, caminhemos de mãos dadas em prol da diversidade humana. Enfim, abracemos o SOL que existe dentro de cada um de nós” Gutierres Filho (2003). Psicomotricidade no meio aquático e natação adaptada:

A água permite realizar movimentos incríveis que, se fossem realizados fora deste meio, poucas pessoas os fariam! Entrar na água é uma experiência única que fornece a todos a oportunidade de ampliar física, mental e psicologicamente as suas capacidades e conhecimentos.

Deste modo, a Psicomotricidade no Meio Aquático e a Natação Adaptada surgem, cada vez mais, como um complemento às terapias tradicionais, pois pretendem alcançar a reabilitação motora, funcional, emocional e social do indivíduo, por um ambiente lúdico, que respeita a individualidade e permite a iniciativa e a independência. por: Rita Ortigão – Fonte blog : psicomotricidadenomeioaquatico

Deste modo, pode-se dizer que a reabilitação das pessoas que procuram a psicomotricidade aquática não pode ser vista apenas como aplicação de técnicas funcionais fundamentadas em estudos anatomofisiológicos e biomecânicos, pois toda reabilitação mesmo motora é essencialmente relacional.

Enfim… “abramos os olhos para enxergar o que as pessoas têm para nos ensinar, sensibilizemos os ouvidos para escutar o que elas vêm nos dizer, tenhamos coragem de assumir e de ser corpo para que possamos nos permitir ser tocado e tocar, sintamos e vivenciamos as expressividades mais autênticas e espontâneas de um ser humano, lutemos pelo fim da desigualdade social, da miséria, da fome e da discriminação, caminhemos de mãos dadas em prol da diversidade humana. Enfim, abracemos o SOL que existe dentro de cada um de nós” (Gutierres Filho, 2003). Gutierres Filho,

P. A psicomotricidade relacional em meio aquático. São Paulo: Manole, 2003. Fernandes J, & Gutierres Filho P.
Psicomotricidade: abordagens emergentes. São Paulo: Manole, 2012. Fernandes J, & Gutierres Filho P.
Atualidades da Prática Psicomotora. Rio de Janeiro: Wak Editora, 2015. E-mail de contato do Prof. Dr. Paulo Gutierres Filho:

1 Comment

  • by
    Sanderson R Cristianini
    Posted 08/04/2024 11:59 0Likes

    Gostaria de fazer um curso em psicomotricidade aquática EAD

    Vocês tem previsão para o mesmo ?

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